TELEFONES PARA SURDOS SÃO EM NÚMERO INSUFICIENTES.
Já não são novidades, em
espaços públicos, aparelhos telefônicos para surdos. O problema,
reclamado pelos usuários, é que são em número insuficiente
e muitos ficam desativados por períodos prolongados, devido a problemas
técnicos, impedindo que pessoas com problemas auditivos se comuniquem
via telefone, uma necessidade básica nos tempos atuais. O Plano Geral
de Metas para a Universalização (PGMU), da Agência Nacional
de Telecomunicações - Anatel (Decreto nº 2592, de 15 de maio
de 1998), estipula que 2% dos telefones públicos sejam adaptados para
pessoas com deficiência. O professor Neivaldo Zovico, diretor regional
da Federação Nacional de Educação e Integração
dos Surdos - Feneis/SP, ele próprio com deficiência auditiva, afirma
que foram instalados cerca de 320 aparelhos em todo o Brasil, número
insuficiente para os cerca de 5,7 milhões de surdos e pessoas com deficiência
auditiva existentes no país.
"É um direito dos surdos, na minha opinião, as empresas telefônicas
poderiam disponibilizar na internet formulário de solicitação
de instalação de telefones para surdos em lugares públicos,
para facilitar, mas não tem nada". Segundo ele, muitas empresas
não solicitam instalação desses aparelhos porque imaginam
que terão despesas, mas a despesa, na verdade, é por conta da
companhia telefônica local, conforme regimento do Plano Geral de Metas
da Anatel.
Neivaldo lembra que as pessoas ouvintes não se ocupam em pedir que a
companhia telefônica instale telefones públicos. Geralmente ela
os instala sem a solicitação do usuário, ao contrário
do que acontece com os surdos que quando vêem que falta um aparelho especial
em determinado local com grande utilização de usuários
com problemas auditivos, eles é que solicitam a instalação.
"O certo seria que as empresas telefônicas atuassem em parceria com
associações, escolas ou clínicas, ou seja, instituições
que atendem pessoas com deficiência, para saberem os melhores locais para
instalação dos aparelhos para surdos. Outra reclamação
do professor é que a Central Intermediação Surdo-Ouvinte
(Ciso) sempre está ocupada e os surdos ficam esperando prolongadamente
a intermediação da comunicação com pessoas ouvintes,
além do número incontável de telefones sem funcionamento.
"A responsabilidade é das empresas de telecomunicações
que não se preocupam com as pessoas surdas e também ainda não
sabem como fazer manutenção preventiva para que todos estejam
funcionando sempre", dispara Zovico, acrescentando que muitos funcionários
dessas empresas, que prestam serviços de manutenção em
aparelhos telefônicos, não têm conhecimentos técnicos
específicos sobre o funcionamento desses aparelhos.
A Telefônica, operadora no Estado de São Paulo, foi procurada por
diversas vezes, para pronunciamento, mas não se manifestou.
FUNCIONAMENTO
Na prática, o telefone para surdos funciona
da seguinte maneira: o aparelho telefônico, geralmente instalado em locais
públicos, possui visor de legenda para recebimento e envio de mensagens
escritas com teclado alfa númerico (semelhante ao teclado de computador).
As pessoas, com ou sem deficiência, podem se comunicar diretamente, sem
intermediação, desde que, nas duas pontas, haja um telefone para
surdos (TS). A comunicação acontece pela mensagem digitada.
Um outro exemplo: quando um surdo quer falar com uma pessoa ouvinte, como um
consultório dentário ou médico, onde, em geral, não
há TS, ele tem que ligar para o número especial disponibilizado
pelas companhias telefônicas, 1402, em todo o Brasil, e acessar a Ciso
- Central de Intermediação Surdo-Ouvinte, onde há pessoal
capacitado para esse tipo de atendimento. Após o atendimento da telefonista,
o surdo digita o número e nome da pessoa com a qual quer falar e a operadora
lê as mensagens recebidas em sua central e disca para o destinatário
ouvinte. Dessa forma é iniciada a conversa entre surdos e ouvintes, através
da intermediação de escrita para oral e vice versa, quebrando,
assim, as barreiras da comunicação.
Neivaldo destaca que utiliza desse sistema há mais de 20 anos, uma vez
que possui um aparelho TS, importado, e lamenta que não esteja popularizado
para o uso de todas as pessoas. "Esses aparelhos não são
usados por serviços de atendimento ao público, principalmente
os emergenciais como policiais, bombeiros ou serviços de resgate. Imagine
se um casal de surdos for assaltado em uma casa durante a madrugada. Como pedir
ajuda? Com o telefone para surdos, pode haver mais independência por parte
dos surdos", afirma.
TELEFONES PARA SURDOS NO METRÔ E NA CPTM
Tão necessários quanto nas localidades
públicas citadas pelo Neivaldo Zovico, são os telefones para surdos
instalados em loais de grande circulação como terminais de transporte,
em estações de Metrô e de trem (CPTM), por exemplo. Segundo
o diretor de Operação da Companhia do Metropolitano de São
Paulo - Metrô, Decio Tambelli, atualmente há três telefones
instalados nas estações Santa Cruz, Vila Mariana e Tatuapé.
"As duas primeiras foram escolhidas por se localizarem nas proximidades
de instituições voltadas ao atendimento de pessoas surdas e a
última, por estar próxima do Posto de Atendimento a Pessoas Portadoras
de Deficiência", explica.
Tambelli destaca que a instalação desses telefones específicos
depende de entendimentos entre as empresas Metrô e Telefônica, operadora
em São Paulo, pois a primeira deve fornecer para isso toda a infra-estrutura
e a segunda, os aparelhos e os serviços operacionais. A próxima
estação a receber esse equipamento, dada a sua dimensão
e importância, é a Sé, com data prevista para instalação
ainda em agosto deste ano. "Depois disso, serão colocados telefones
para surdos na seguinte ordem de prioridade: nas estações de transferência
de Ana Rosa e Paraíso, nas estações com terminais rodoviários
e nas estações com terminais urbanos", declara.
O diretor de Operação do Metrô destaca, ainda, que o Metrô
fixou um Procedimento Operacional (PO) que garante que os empregados das estações
façam vistoria diária nos telefones para surdos e, constatada
qualquer irregularidade, comuniquem imediatamente a Telefônica para as
providências, as quais devem ocorrer no prazo de 24 horas.
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) conta com oito aparelhos
instalados nas estações de Barra Funda, Francisco Morato, Lapa,
Santo Amaro, Santo André, Guaianazes, Tatuapé e Itaquera. O principal
indicador para a empresa providenciar novas instalações é
a demanda de usuários com deficiência auditiva. A estação
de Mauá, na Linha D (Luz-Rio Grande da Serra), será a próxima
a receber um aparelho, já que foram detectados vários usuários
com surdez freqüentando o local diariamente. Outra forma seguida pela empresa
é pelo atendimento às solicitações de entidades
ou associações existentes em torno.
Assessora de Comunicação
Maria Isabel da Silva
E-mail:isabel@ame-sp.org.br
(11) 6942.7354 ramal 232
http://www.ame-sp.org.br
Fonte da matéria: Associação Amigos Metroviários dos Execepcionais - AME