quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Alzheimer: Lilly anuncia remédio que reduz perda de memória em 32%


Esperança contra o Alzheimer. A Eli Lilly & Company, uma das maiores farmacêuticas do mundo, anunciou que conseguiu produzir um remédio capaz de reduzir em 32% a perda de memória dos pacientes e retardar a doença.

Além melhorar a memória – em comparação com os indivíduos que ingeriram placebo – a companhia informou que as pessoas que tomaram o remédio também tiveram ganho na capacidade de realizar atividades da vida cotidiana.

O nome da substância usada é donanemab. Por enquanto, o medicamento não está à venda, é experimental.

A notícia saiu esta semana no The Wall Street Journal, que disse: “Se as descobertas do pequeno ensaio de Fase 2 de Lilly se confirmarem, isso sugere que os pesquisadores descobriram um medicamento que pode pelo menos retardar o Alzheimer”.

O jornal norte-americano informou que os dados são de um pequeno estudo feito pela Lilly nos últimos 18 meses.

A companhia divulgou alguns destaques dos resultados da pesquisa e garantiu que, em breve, fará uma publicação completa, assim que os resultados do estudo forem revisados por seus pares.

Marco histórico

Na reportagem, Daniel Skovronsky, diretor científico da Lilly, disse que o momento é único e um marco histórico para os pacientes com Alzheimer.

O anúncio fez com que as ações da companhia valorizarem em dois dígitos.

Eles chegaram a subir 12% na Bolsa de Valores de Nova York.

Agora é torcer para saiam logo os resultados e que, depois, o medicamento passe na fase 3 e seja aprovado pela FDA, a Anvisa dos EUA.

Com informações do WallStreetJournal

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Artrite: nova técnica pode aliviar dores em 85%



Notícia boa para pessoas que sofrem de artrite moderada a grave nas articulações do quadril e do ombro.

Pesquisadores da University School of Medicine em Atlanta, Geórgia, EUA, apresentaram este mês um procedimento ambulatorial que oferece alívio duradouro da dor e reduz a dependência de opiáceos. Foi durante a reunião anual da SRNA – Sociedade Radiológica da América do Norte.

Trata-se de um novo tratamento de radiologia intervencionista conhecido como ablação por radiofrequência resfriada (c-RFA) para alcançar o alívio da dor em casos de de artrite degenerativa avançada.

“Os resultados foram muito impressionantes e promissores. Os pacientes com dor no ombro tiveram uma diminuição da dor de 85% e um aumento da função de aproximadamente 74%. Em pacientes com dor no quadril, houve uma redução de 70% na dor e um ganho em função de aproximadamente 66%. ”.

A afirmação é do doutor Felix M. Gonzalez, M.D., do Departamento de Radiologia da Emory University School of Medicine em Atlanta.

Como

O procedimento envolve a colocação de agulhas onde estão os principais nervos sensoriais ao redor das articulações do ombro e do quadril.

Os nervos são então tratados com uma corrente de baixo grau conhecida como radiofrequência que os “atordoa”, retardando a transmissão da dor ao cérebro.

23 pessoas com osteoartrite foram submetidas a tratamento, incluindo 12 com dor no ombro e 11 com dor no quadril, que não responderam ao controle da dor antiinflamatória e injeções intra-articulares de lidocaína-esteróide.

O tratamento foi realizado duas a três semanas após os pacientes terem recebido diagnóstico de bloqueios nervosos anestésicos.

Não houve complicações relacionadas ao procedimento, e ambos os grupos de dor no quadril e no ombro relataram diminuição estatisticamente significativa no grau de dor com aumento correspondente na função dinâmica após o tratamento.

Dependência

Pessoas com dor moderada a intensa relacionada à osteoartrite enfrentam opções de tratamento limitadas. Abordagens comuns, como injeções de anestésico e corticosteroides nas articulações afetadas, tornam-se menos eficazes à medida que a artrite progride e piora.

E o novo procedimento oferece uma nova alternativa para os pacientes que enfrentam a perspectiva da cirurgia. Além disso, pode diminuir o risco de dependência de opiáceos.

“Este procedimento é o último recurso para pacientes que não conseguem ser fisicamente ativos e podem desenvolver um vício em narcóticos”, disse o Dr. Gonzalez.

Outras possibilidades

O procedimento também pode ter inúmeras aplicações fora do tratamento da dor artrítica, explicou o Dr. Gonzalez.

Os usos potenciais incluem o tratamento da dor relacionada a doenças como câncer e síndrome da dor relacionada à anemia falciforme, por exemplo.

“Estamos apenas arranhando a superfície aqui”, disse Gonzalez. “Gostaríamos de explorar a eficácia do tratamento em pacientes em outros ambientes, como trauma, amputações e, especialmente, em pacientes com câncer com doença metastática”.

Com informações da SRNA e GNN

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Paraplegia não impede enfermeira de fazer parto humanizado



A enfermeira obstetra Melissa Martinelli passou por sérios problemas de saúde depois de um acidente de moto que a tornou paraplégica. E estar numa cadeira de rodas não impede a brasileira de trazer ao mundo crianças da forma mais amorosa possível, pelo método de parto humanizado.

Com 20 anos de estrada e especialização em neonatologia, Mel se encontrou ao focar seu trabalho nos partos humanizados. Mais de 1300 bebês já nasceram com a ajuda dela. Em 2019 foram 79 e em 2020, em plena pandemia, 107.

O acidente

No meio dessa história, exatamente em 15 de outubro de 2016, um acidente interrompeu sua carreira. Após ter fraturado a vértebra T12, Mel precisou dedicar um bom tempo para cumprir uma intensa reabilitação no Hospital Sarah Kubitschek e poder voltar a atuar o mais rápido possível.

E foi assim que em apenas três meses ela estava de volta à sua paixão: ajudar mulheres a parir de uma forma humanizada. Em 2 de fevereiro de 2017, Mel voltou a atender como enfermeira principal, a primeira vez após o acidente.

“Amo tanto o que faço que durante todo aquele parto esqueci a cadeira de rodas. Só lembrei depois que o bebê nasceu”, relembra entusiasmada o dia de eu retorno.

Como nos partos a mulher fica livre para escolher a posição que se sente mais confortável, Mel já tinha como costume partejar sentada, então pouco mudou. A diferença é que agora ela precisa ter por perto uma enfermeira, que cumpre a função de ajudar quando ocorre alguma intercorrência que exija agilidade para pegar alguma medicação, por exemplo.

Novo projeto

Melissa está agora à frente do Centro de Parto Humaniza, inaugurado este mês exatamente em frente ao Hospital Anchieta, em Taguatinga, na Capital Federal.

O espaço tem 78 metros quadrados e conta com uma equipe de quatro obstetras humanizados e cinco enfermeiras obstetras que atendem em uma sala de parto projetada para ser um lugar especial.

O espaço trabalha em parceria com o Hospital Anchieta, que agora também conta com uma sala de parto nos moldes da que existe no Humaniza.

Mel conta que seu trabalho é oferecer o melhor ambiente para que um ser humano chegue ao mundo, ou seja, da forma menos traumática e mais amorosa, e é essa a sua missão.

Ela acredita no que diz o obstetra francês Michel Odent: “Para mudar o mundo, precisamos mudar a forma de nascer”.



Fonte: SNB

domingo, 20 de agosto de 2017

8 coisas que o SUS oferece e você não sabe
SUS


O Sistema Único de Saúde (SUS) abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do Brasil.

Amparado por um conceito ampliado de saúde, o SUS foi criado, em 1988 pela Constituição Federal Brasileira, para ser o sistema de saúde dos mais de 180 milhões de brasileiros.
Direitos dos Usuários do SUS
A “Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde” traz informações para que você conheça seus direitos na hora de procurar atendimento de saúde. Ela reúne os seis princípios básicos de cidadania que asseguram ao brasileiro o ingresso digno nos sistemas de saúde, seja ele público ou privado. Veja o conteúdo completo aqui.

Alguns dos serviços mais conhecidos do SUS são a Farmácia Popular, Melhor em Casa – Assistência Domiciliar (para pessoas com necessidade de reabilitação motora, idosos, pacientes crônicos sem agravamento ou em situação pós-cirúrgica, por exemplo), Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) – DST/AIDS, SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) e o calendário de vacinação (saiba mais sobre cada serviço aqui).
Reunimos uma lista de outros tratamentos e cursos oferecidos pelo SUS:
  1. DIU de cobre
  2. Curso gratuito sobre o uso de plantas medicinais
  3. Meditação e terapias alternativas
  4.  Adesivo para tratamento contra o Alzheimer
  5. Cirurgias reparadoras para mulheres que sofreram algum tipo de violência
  6. Pílula anti-HIV
  7.  Antipsicótico para tratamento de Parkinson
  8. Shantala, terapia de massagem para bebês
Fonte: Catraca Livre

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ciência a um passo de encontrar “cura” para obesidade
Cura da Obesidade

A obesidade por ter “cura”. Foi o que descobriram pesquisadores da Universidade de Monash, na Austrália.
Eles identificaram como o cérebro administra a insulina no corpo, um importante hormônio sintetizado pelo pâncreas, que metaboliza os açúcares no sangue e coordena os gastos e as conservação de energia.
Os cientistas conseguiram determinar, pela primeira, vez qual é o exato mecanismo do cérebro que estimula o corpo a armazenar gordura.
O segredo está nas células adiposas brancas e marrons, onde é armazenada a gordura chamadas de adipócitos, ou células adiposas.
Os adipócitos brancos são aquela gordura que insiste em se acumular nos quadris ou no abdômen e é culpada por grande parte das doenças cardíacas e por prejudicar a circulação sanguínea.
Já a gordura marrom é considerada uma gordura boa, porque ela contribui para a queima de calorias e, consequentemente, estimula o emagrecimento.
Segredos de ganhar ou perder de peso
Estudos prévios demonstraram que pessoas com células adiposas marrons têm mais facilidade para emagrecer e não ganham peso com tanta facilidade.
Um dos segredos do ganho e da perda de peso é que a gordura quando está armazenada, fica nas células brancas e quando é utilizada como um estímulo ao gasto de energia, muda para as marrons e vice-versa.
De acordo com os cientistas australianos, em pessoas obesas esse interruptor que liga e desliga a chave de branca para marrom permanece o tempo todo no modo armazenamento.
“O que nossos estudos demonstraram é que existe um mecanismo fundamental que garante que o gasto de energia seja combinado ao consumo. Por um longo tempo, o porquê isso ocorre foi a peça faltando no quebra-cabeça. Mas nós mostramos não apenas por que isso acontece, mas também o mecanismo envolvido. É muito emocionante”.
Palavras do líder da pesquisa, Dr. Garron Dodd, em entrevista à revista Cell Metabolism.
Os cientistas ainda estão estudando como podem reprogramar esse “interruptor” para estimular o gasto de energia e a perda de peso em pessoas obesas.
Mas veem a descoberta com otimismo, dado o crescimento do número de pessoas com obesidade no mundo e a gravidade dos problemas de saúde causadas pelo excesso de peso.
A obesidade é um dos principais estímulos ao desenvolvimento de diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares.
As estatísticas mostram que 70 milhões de brasileiros estejam acima do peso e que 18 milhões de pessoas sejam obesas no Brasil — número equivalente à soma da população das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.
Os dados são da ABESO, Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.
Com informações da Superinteressante

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Centrinho de Bauru: a humanização do tratamento hospitalar
Um lugar que não só atende, mas acolhe seus pacientes e familiares
Centrinho de Bauru

Malformação craniofacial. Um nome grande, complicado de se dizer e que afeta a vida de muita gente. Trata-se de toda alteração congênita, ou seja, que surge no período da gestação, e que envolve o crânio e a face. A anomalia craniofacial mais frequente é a fissura de lábio e/ou palato, conhecida como fissura labiopalatal ou fissura labiopalatina (FLP).
A fissura labiopalatal é uma abertura na região do lábio superior e/ou do palato (céu da boca) ocasionada pelo não fechamento dessas estruturas. Ela pode acometer apenas o lábio, apenas o palato ou ambos. Durante a gestação, tanto o lábio como o palato se desenvolvem separadamente, cada um vem de um lado da boca e depois se juntam no meio. A fissura ocorre, portanto, devido ao fato dos tecidos não se unirem. Para compreender melhor esse processo, você pode conferir este vídeo didático do canal TV Saúde.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1 em cada 1000 bebês no mundo nascem com uma fissura. No Brasil, uma pesquisa feita por professores da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) apontou que essa incidência é maior: de 1 em cada 650 bebês. As FLPs são geralmente causadas por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Os fatores genéticos englobam a hereditariedade (se há algum caso de fissura na família) enquanto os fatores ambientais são aqueles em que a mãe é exposta durante a gravidez.
Exemplos de fatores ambientais: infecção congênita (rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, herpesvírus, HIV); fumo; álcool; drogas ilícitas; deficiência nutricional da gestante; estresse; deficiência de ácido fólico; diabetes gestacional; hipotireoidismo; hipertensão arterial; medicamentos (anticonvulsivantes, corticóides, benzodiazepínico para tratamento de insônia ou distúrbios de ansiedade, isotretinoína – popularmente, Roacutan – para tratamento de acne e de rejuvenescimento, etc).
Centrinho de Bauru
Em geral, as FLPs não são graves nem letais, mas geram um impacto significativo sobre a fala, audição, aparência e cognição. Por isso é recomendado que o tratamento comece o mais cedo possível para uma melhor reabilitação e prevenção de distúrbios da fala. Além disso, pessoas com fissuras têm maior chance de contrair infecções respiratórias e de ouvido.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cobertura para esses casos de malformações craniofaciais. Dentre os Centros especializados, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo, localizado em Bauru (SP), é tido como referência internacional.
História
A trajetória do Centrinho tem início na década de 1960, com a iniciativa de um grupo de sete professores a partir dos resultados de uma pesquisa que detectou uma estatística até então não trabalhada: uma em cada 650 crianças nascidas no Brasil apresentava malformação labiopalatal.
Em 1967, impulsionados pelo resultado desse estudo, docentes e profissionais da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP passaram a dar atendimento por meio de um serviço integrado de ensino, pesquisa e assistência social. Desta forma, funcionando nas dependências da própria faculdade, nasceu o Centro de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais.
Em 1976, o Centrinho – como já era conhecido – é transformado em unidade hospitalar autônoma e passa a receber o nome de Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais, destacado como centro de excelência no atendimento pela USP e como referência mundial pela OMS.
Na década de 1980, tornou-se o primeiro hospital universitário do Estado de São Paulo a ser conveniado com o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps – atual SUS) para prestar assistência especial e integral aos portadores de malformações faciais e iniciou o atendimento na área da deficiência auditiva.
Em 1998, recebeu nova denominação, em vigor até hoje: Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), devido à ampliação do seu campo de atividade. Com o passar das décadas, a instituição colecionou conquistas que lhe renderam premiações e o reconhecimento como centro de excelência dentro e fora do Brasil.
Só em 2014 foram feitas 4 mil internações e mais de 5 mil cirurgias. O número de pacientes matriculados ultrapassou os 98 mil, incluindo casos de anomalias craniofaciais e deficiência auditiva.
Acolhendo os pacientes
Por ser um hospital de referência, o Centrinho recebe pacientes de todo o país – seja por encaminhamento de outros serviços de saúde ou pela própria família que busca o atendimento. Quando o paciente chega, ele e sua família são recebidos por uma equipe diagnóstica do hospital composta por um fonoaudiólogo, um ortodontista, um cirurgião plástico, um pediatra e um otorrinolaringologista. “Nesse momento eles avaliam que tipo de fissura o paciente tem e se há alguma outra malformação associada de maneira mais complexa”, pontua Ana Maria Crisci Bertone, que é Chefe Técnica do Departamento Hospitalar e trabalha no Centrinho há 30 anos.
Após essa avaliação prévia, os profissionais esclarecem para a família quais são as etapas de tratamento: qual a idade ideal para fazer a cirurgia, como ela será conduzida e quais os atendimentos que o paciente e a família irão receber. O objetivo nesse primeiro encontro, segundo Ana Maria, é que seja feita “uma abordagem geral para que a família seja orientada de que forma será feita essa sequência de tratamento e até mesmo para que eles nos conheçam”.
Em alguns casos a mãe entra em contato antes do bebê nascer, por isso o Centrinho oferece um atendimento à gestantes. Ana Maria conta que a experiência tem trazido resultados muito positivos: “Ela [mãe] acaba saindo daqui mais segura, entendendo todo o atendimento e vendo que não é só o filho dela que tem fissura”.
Além dos preparativos para a cirurgia, o pós-operatório é fundamental. O paciente e familiares recebem toda a orientação necessária de acordo com o caso tratado. Ana Maria pontou alguns cuidados básicos:
  • evitar a exposição ao sol no primeiro mês para não evidenciar a cicatriz
  • alimentação: ela passa de líquida para pastosa até voltar a normal (para não traumatizar nem ferir o local da cirurgia)
  • higienização: crianças pequenas não sabem fazer bochecho nem escovar os dentes; os pais devem oferecer líquidos após as refeições.
  • ficar atento para que as crianças não machuquem a boca nem tentem mastigar objetos.
Outras anomalias
Como foi dito, a fissura labiopalatal é anomalia mais frequente e pode apresentar variações. Além dos tipos que podem ocorrer (lábio ou palato), o tamanho dessas aberturas também pode variar: da labial até aquelas que acometem lábio, nariz e pálpebra inferior.
Outras anomalias craniofaciais também são tratadas pelo Centrinho. Uma delas é a malformação da orelha, que pode comprometer a audição. De acordo com o caso, é feito o implante coclear multicanal (“ouvido biônico”) e a reconstrução da orelha.
O hospital também faz a cirurgia ortognática, que visa corrigir deslocamentos buco maxilares, quando o maxilar se posiciona muito a frente ou atrás do rosto. Também há o tratamento de casos mais complexos que envolvem a malformação do crânio em si, mas ocorrem com uma incidência menor.
Recursos financeiros
Todo o tratamento recebido no Centrinho é custeado pelo SUS. Mas, para pessoas de fora, ainda há gastos como viagem e estadia. Em alguns casos, é possível conseguir auxílio financeiro do município de origem do paciente ou mesmo com o apoio de instituições e Organizações Não Governamentais (ONGs). No entanto, às vezes o paciente tem que arcar com estes gastos.
Em relação ao transporte, muitos podem contar com a Carona Amiga, projeto desenvolvido pelo hospital em parceria com prefeituras municipais que, mediante a liberação de uma condução municipal, procura agrupar o maior número de pacientes da mesma cidade e região para facilitar a vinda dos pacientes.  A Carona Amiga atende mais de 500 municípios e tem potencial de cobertura para mais de 10 mil pacientes.
A experiência de quem é acolhido
Sou eternamente grata”. É assim que Priscila Ferreira, 35 anos, se sente em relação ao Centrinho. Priscila descobriu que seu filho André Gustavo, 6 meses, tinha fissura labial após seu nascimento. Para ela, foi um momento angustiante: “Na minha cabeça só vinha a pergunta ‘como ele vai mamar?’, enquanto tentava segurar as lágrimas”. Como seu parto foi feito em Sorocaba, ela recebeu informações e assistência da Associação dos Fissurados Lábio Palatais de Sorocaba e Região (Afissore) que a encaminhou para o Centrinho.
Após todos os procedimentos, a cirurgia de André Gustavo foi feita no dia 13 de agosto e sua reabilitação é muito satisfatória. “Tirando o fato dele estar com os movimentos dos braços restritos por talas*, o que o deixa um pouco chateadinho, e os cuidados pós operatórios que devem ser observados por 30 dias, ele está muito saudável, mamando e feliz”, afirma Priscila.
Em relação à sua experiência com o Centrinho, Priscila se diz extremamente satisfeita:
“Os profissionais do Centrinho são de tamanho preparo, profissionalismo e humanidade que a gente esquece que está em um hospital público. No meu caso, que sou solteira, sem família, o tratamento carinhoso, prestativo e porque não dizer caridoso dos profissionais, é uma grande ajuda, apoio e força numa hora tão difícil para uma mãe que é ver seu filhinho ser levado para uma sala cirúrgica. Eles pensam em cada estágio: antes, durante e após a cirurgia, para que em nenhum momento a pessoa se sinta desolada. Sou eternamente grata e espero que se houver mudanças que mudem o físico do hospital e não a estrutura de pessoal.”
* As talas de André Gustavo foram colocadas para que ele não coloque a mão na boca enquanto passa pelo pós-operatório.
 Serviço
Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho)
Endereço: Rua Sílvio Marchione, 3-20 – Vila Universitária
Telefone: (14) 3235-8132 / 3235-8139 / 3235-8129