quarta-feira, 20 de junho de 2018

Aplicativo de celular ajuda deficiente visual a conferir valor pago com cartão

Pay Voice instalado no celular permite ao usuário ouvir quanto está pagando antes de digitar a senha nas compras em débito ou crédito. Tecnologia foi desenvolvida em Campinas.




Um aplicativo gratuito de celular para consumidores com deficiência visual permite confirmar por meio de voz o valor das compras pagas com máquinas de cartão de débito ou crédito. E não é necessário estar conectado à internet.O Pay Voice, já disponível gratuitamente no sistema Android e IOS, utiliza a câmera do smartphone para ler e transmitir ao usuário apenas o valor final da compra à vista ou parcelada. O App foi desenvolvido pelo CPqD, em Campinas (SP), em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

E como funciona?

O funcionamento é bem simples. O usuário aproxima o celular - no modo câmera- da tela da maquininha do vendedor e o sistema processa e reproduz em voz apenas o valor final da compra antes de o consumidor digitar a senha, que confirma o pagamento.O Pay Voice ignora outras informações que aparecem na tela da máquina de cartão como hora da compra e a carga da bateria do equipamento. Esses dados poderiam confundir o aplicativo.O aplicativo é tão simples de usar que guia o deficiente visual na hora de ele posicionar a câmera do celular para a leitura. Caso o telefone esteja longe da máquina de cartão, o programa avisa para aproximar mais para esquerda ou direita.

sábado, 29 de julho de 2017

Tecnologia do Switch permite que deficientes visuais possam jogar

Tecnologia presente nos Joy-Con transmite sensação realista do que acontece na tela para o tato.


Com o lançamento do Nintendo Switch, veio a notícia de que um de seus jogos é acessível para deficientes visuais. Através do relato de uma jovem sobre a experiência de seu marido com o console, soubemos que a nova tecnologia Rumble HD presente nos Joy-Con oferecem uma experiência sensorial tão precisa que é capaz de permitir que até uma pessoa cega consiga jogar sem precisar da ajuda de terceiros.


Em uma publicação no fórum Reddit, a usuária Mandi Bundren compartilhou um relato sobre a experiência de seu marido ao jogar o game 1-2-Switch, título contendo 28 minigames.

Em seu relato, ela comenta que ela e seu marido, que ficou cego aos 23 anos devido à Retinopatia Diabética, sempre foram fãs da empresa japonesa e de games em geral, mas, por causa da limitação visual dele, eles tinham grandes dificuldades para jogarem juntos e que não tinha muita esperança de que com o novo console seria diferente.

O 1-2-Switch é um título do novo console da Nintendo que contém uma série de minigames com temáticas distintas que exigem os Joy-Con para serem jogados. Dentre os games presentes nem todos precisam de recursos visuais para serem jogados, graças à tecnologia Rumble HD presente nos controles é possível ter uma sensação muito precisa do que o jogo mostra, como sentir cubos de gelo e até conseguir determinar quantas bolinhas existem dentro de um pote usando apenas o tato e dispensando a TV, o que facilita a jogabilidade de pessoas que não enxergam.

"O jogo favorito dele é Quick Draw pelo quão rápido ele consegue reagir para ganhar", disse Mandi afirmando que ele a vence sempre neste game. Segundo a jovem, Rich também gosta muito do Ping Pong e Boxing Gym, nos quais também é preciso mover braços e mãos rapidamente para vencer.



Não é de hoje que um console da Nintendo está presente na vida dos deficientes. Inclusive, o Wii Sports foi outro game que eles conseguiram jogar juntos com uma certa facilidade.
Durante muitos anos o Nintendo Wii foi muito utilizado na reabilitação de pessoas com algum tipo de limitação motora ou cognitiva graças ao seu Wii Remote com sensores de movimento revolucionário para a época. Algumas instituições como a Universidade de Nevada, nos Estados Unidos, que criou o jogo VI Fit para crianças cegas praticarem exercícios usando o sensor de movimento, por exemplo, também criaram e modificaram jogos para ajudar deficientes visuais na sua mobilidade, reabilitação e até na prática de esportes.

Agora, graças a esta nova tecnologia do Joy-Con, uma porta se abre para que as empresas comecem a produzir jogos para o console e que sejam acessíveis para os deficientes, tornando o universo dos games muito mais inclusivo.

Fonte: Techtudo

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Inclusão dos deficientes visuais ainda é desafio

As cidades, as escolas, os cinemas, os prédios públicos, enfim, a sociedade brasileira está apta a servir e incluir os deficientes visuais no seu dia-a-dia? No geral, a resposta é não. Às vezes, até a própria família não se mostra preparada para viver com um deficiente visual. Na novela América, da Rede Globo, a personagem Flor (vivida por Bruna Marquezine) não consegue integrar-se à sociedade em razão da superproteção de sua mãe que não a vê preparada para enfrentar o mundo. 
Por que uma deficiência faz de alguém um cidadão diferente ou com menos direitos? Essa pergunta parece absurda, mas a ausência de projetos de acessibilidade para os deficientes mostra que ela, muitas vezes, é verdadeira. 


A educadora Elizabet Dias de Sá conhece bem essa história. De uma família com oito irmãos, cinco deles, incluindo ela, cegos em razão de uma doença supostamente hereditária, ela enfrentou dificuldades desde a infância. “Nasci com baixa visão, usava óculos com lentes grossas e lupas. Tinha dificuldade para ler, escrever e enxergar à distância. Caminhava pisando em ovos, tropeçava com freqüência, caía e não conseguia distinguir pessoas e objetos a não ser bem de perto. Percebia cores fortes, mas não conseguia ver letras miúdas, lia com os olhos colados no papel e sentava grudada na televisão”, diz. 

Coordenadora do Centro de Apoio Pedagógico às Pessoas com Deficiência Visual de Belo Horizonte, ela acredita que é preciso “promover mudanças estruturais para provocar mudanças de mentalidades e vice-versa”. E completa, “precisamos criar ambientes favoráveis e acolhedores que operem positivamente na formação de mentalidades, de valores e de princípios que incorporem as diferenças como condição natural do ser humano e não como deformação ou negatividade.” 

Para Elizabet, é necessário que se trabalhe em cima das potencialidades dos indivíduos e não sobre suas incapacidades ou impedimentos. Ela mesma é um exemplo dessa atitude. Quando era estudante de magistério, trabalhava com crianças que tinham dificuldade de aprendizado. “Aquelas crianças não tinham deficiência. Elas aprendiam comigo o que não conseguiam aprender na escola. Elas lidavam bem com a minha dificuldade de enxergar e eu com a delas de aprender os conteúdos da escola”, fala. 

Em relação à legislação, a educadora acredita que ela nunca é suficiente. “Numa sociedade democrática, os direitos vão se ampliando e ao conquistarmos determinados patamares, surgem novas necessidades, invenções e novas conquistas. Por outro lado, a legislação brasileira, neste aspecto, ainda guarda ranços de assistencialismo, uma vez que os direitos fundamentais ainda não foram devidamente assegurados para as pessoas que se encontram em condições de risco ou de vulnerabilidade social agravadas pela deficiência”, diz. 

E, completa, “além disso, as leis brasileiras costumam ser ignoradas ou descumpridas. Se fossem cumpridas, a rigor, certamente o acesso e a permanência na escola e no mundo do trabalho bem como em outros setores da vida em sociedade para estas pessoas seriam mais satisfatórios.” 

Fonte: Terra

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Estudante desenvolve bengala eletrônica para deficientes visuais

Pensando em proporcionar um ambiente mais inclusivo para os deficientes visuais que cinco alunos da Escola do Sesi de Corumbá desenvolveram um sistema batizado de “Olho de Agamotto”


Para um deficiente visual, caminhar por espaços públicos pode ser algo inimaginável. Em um exercício de equilíbrio e concentração, seguem guiados pelo piso tátil, que os leva, na teoria, a desviar de obstáculos, e atravessam as ruas, orientados por equipamentos sonoros instalados nos semáforos. Mas, e quando a acessibilidade acaba? 
Foi pensando em proporcionar um ambiente mais inclusivo para os deficientes visuais que cinco alunos da Escola do Sesi de Corumbá desenvolveram um sistema batizado de “Olho de Agamotto”, uma espécie de bengala eletrônica dotada de sensores programados para apitar no momento em que a pessoa que o utiliza se aproxima de qualquer tipo de barreira. 
O projeto despertou o interesse do presidente da Fiems, Sérgio Longen, que, na última sexta-feira (30), esteve em Corumbá, quando os alunos demonstraram a ele como funciona o protótipo. A ideia é, inclusive, disponibiliza-lo no mercado e torná-lo acessível para os deficientes visuais. “Essa bengala eletrônica é uma importante ferramenta que foi desenvolvida pelos alunos da Escola do Sesi de Corumbá e precisa ser reconhecido pelo caráter inovador, que é exatamente o que a área de Educação do Sesi está buscando. Vamos avançar nesse projeto e colocar esse produto no mercado. A ideia é fazer um piloto aqui no município, onde ele foi concebido”, disse Sérgio Longen. 
O projeto 
Usando conceitos das aulas de robótica, disciplina que integra a grade curricular das escolas do Sesi, os alunos usaram o modelo Lego “EV3” para construir o “Olho de Agamotto”. O nome do dispositivo foi baseado no amuleto que o personagem das HQs (Histórias em Quadrinhos) do Grupo Marvel, “Dr. Estranho”, carrega no pescoço e é inspirado no mundo real em “O Olho que Tudo Vê”, de Buda, nome dado a Siddhartha Gautama, líder religioso que viveu na Índia e fundou o “budismo”. 
Na ficção, o “Olho de Agamotto” permite a quem o carrega percorrer distâncias 
e dissipar disfarces e ilusões, enquanto no caso do protótipo desenvolvido pelos alunos do Sesi ele conta com um sistema de GPS integrado e sensores programados para indicar os comandos sonoros que serão transmitidos para o deficiente visual. 
“Não é necessário um pacote de internet móvel para a programação funcionar. São satélites de GPS que oferecem para o receptor do Olho de Agamotto a sua posição e destino final”, explica Adilson Corrêa Júnior, da 3ª série do Ensino Médio, um dos alunos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto. 
“Nossa intenção é levar bem-estar para o deficiente visual. Estas pessoas deixarão de ficar totalmente dependentes das sinalizações públicas, já que em muitos lugares elas simplesmente não existem, e poderão ter mais autonomia”, espera Maria Fernanda da Silva, da 3ª série do Ensino Médio. 
Mais vantagens 
Outra vantagem, acrescenta Naiara Firmino Rodrigues, que também é da 3ª série, é a correção postural do deficiente visual. “O deficiente anda a maior parte do tempo agachado por causa da bengala, então alguns problemas se postura são corrigidos. Com o Olho de Agamotto, as pessoas com deficiência visual passam ter uma locomoção mais segura e com melhor tempo de deslocamento”, afirma. 
Kianny Climaco Guerreiro, 2ª série do Ensino Médio, conta que o projeto surgiu após o grupo verificar as privações vivenciadas pelas pessoas que não enxergam. “São pessoas privadas de muitas experiências por não serem capazes de ver. Então decidimos ajudar”, finaliza sobre o projeto, que também foi idealizado pelo aluno Allison Barbosa, sob orientação dos professores Carlos Roberto Leão Campos e Marcelly Tavares. 
“É uma satisfação muito grande ver que nosso trabalho árduo e dedicação já rendem bons frutos”, comenta Marcelly. Em outubro do ano passado, o Olho de Agamotto foi campeão da Fecipan, feira de ciência e tecnologia promovida pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), realizada com 27 escolas do município. 
A vitória no evento rendeu um subsídio mensal do Instituto para financiar o projeto dos alunos da Escola do Sesi de Corumbá. “Foi um trabalho difícil, que exigiu muita dedicação de todos nós, e ver que ele está funcionando faz tudo valer a pena”, emenda o professor Carlos Roberto.  
Fonte: Acritica

sábado, 22 de julho de 2017

O cão guia e o deficiente visual

O ser humano, dotado de raciocínio e inteligência, muitas das vezes depara-se com situações onde é preciso utilizar de meios para poder se adaptar de forma normal ou “quase normal” ao convívio em sociedade. As deficiências físicas, sejam elas advindas desde o nascimento ou adquiridas no decorrer do tempo, devem ser enfrentadas com força de vontade e energia.

O deficiente visual é um grande exemplo de superação no dia a dia. Para tanto, além de inúmeras e diversas formas encontradas por ele para superar esta dificuldade, está em outro ser vivo, a possibilidade de locomover-se com mais segurança. O cão, animal que passou já há alguns séculos a conviver com os humanos, adquire papel primordial na vida de muitos deficientes visuais. E isso se dá através do chamado cão-guia. 

No Brasil, existe norma para regular o cão-guia de deficientes visuais. O Decreto 5.904/2006, que regulamentou a Lei 11.126/2005. Na sua essência, dispõe sobre os direitos da pessoa com deficiência visual e seu cão-guia, podendo ser citados: a pessoa com deficiência visual usuária de cão-guia tem o direito de ingressar e permanecer com o animal em todos os locais públicos ou privados de uso coletivo, excetuando-se os estabelecimentos de saúde nos setores de isolamento, quimioterapia, transplante, assistência a queimados, centro cirúrgico, central de material e esterilização, unidade de tratamento intensivo e semi-intensivo, em áreas de preparo de medicamentos e farmácia hospitalar.

Também há restrições em áreas de manipulação, processamento, preparação e armazenamento de alimentos e em casos especiais ou determinados pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar dos serviços de saúde. 
É vedada a exigência do uso de focinheira nos animais, como condição para o ingresso e permanência nos locais em que possa frequentar.  No transporte público, a pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia ocupará, preferencialmente, o assento mais amplo, com maior espaço livre à sua volta ou próximo de uma passagem, de acordo com o meio de transporte. 


É vedada a cobrança de valores, tarifas ou acréscimos vinculados, direta ou indiretamente, ao ingresso ou à presença de cão-guia nos locais. No caso de impedir ou dificultar o ingresso e a permanência do usuário com o cão-guia nos locais definidos como possíveis para tal, ou de condicionar tal acesso à separação da dupla, será arbitrada multa no valor mínimo de R$ 1 mil e máximo de R$ 30 mil. E, havendo reincidência, interdição, pelo período de 30 dias, e multa no valor mínimo de R$ 1 mil e máximo de R$ 50 mil. 
Superar as dificuldades e deficiências físicas do outro faz-se necessário através não só de normas que devem ser obedecidas, mas também pelo princípio da solidariedade humana.

“QUANDO SOMOS BONS PARA OS OUTROS, SOMOS AINDA MELHORES PARA NÓS”. (BENJAMIN FRANKLIN)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sistema permite que deficientes visuais andem sem usar bengala

Solução criada em instituto dos Estados Unidos permite que deficientes visuais substituam a bengala por um sistema de identificação de obstáculos acoplado ao corpo. Nos testes, o mecanismo reduziu as colisões em até 86%


Um acessório muito usado pelos deficientes visuais para se locomover é a bengala. Prática de carregar e leve, ela acusa a presença de obstáculos e evita, ao máximo, as colisões indesejadas. Não consegue, porém, identificar o que toca, uma mesa, uma cadeira ou outra pessoa, por exemplo.

Tentando resolver esse problema, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, pela sigla em inglês) criaram um sistema de orientação que permite ao usuário andar em um ambiente interno sem usar a bengala. Pendurada no pescoço do deficiente visual, uma câmera 3D sonda a região à frente dele, identificando obstáculos e o quão distantes estão. O usuário é, então, orientado sobre qual direção deve se locomover por meio de vibrações emitidas por um cinto. No acessório, também fica presa uma tela em braile que ajuda no processo de locomoção.
Segundo testes, a tecnologia reduz em até 86% o número de colisões com outras pessoas em um salão movimentado, quando se compara deficientes visuais no mesmo ambiente usando a bengala para se locomover. Além disso, ao procurar uma cadeira, os voluntários entraram em contato com 80% menos objetos indesejados no percurso quando estavam com o novo dispositivo.

“Ter algo que não interferisse com os outros sentidos foi importante. Nós não queríamos usar áudio, não queríamos ter algo ao redor da cabeça ou vibrações no pescoço. Testamos esses métodos com deficientes visuais, mas nenhum foi aceito”, diz Robert Katzschmann, um dos principais autores do artigo, apresentado na Conferência Internacional de Robôs e Automação, em Cingapura, no início deste mês.

Algoritmo-chave

A câmera 3D é capaz de detectar profundidades, algo extremamente importante para a locomoção de um deficiente visual. A câmera fica na altura do peito do usuário, dentro de uma bolsa de couro, que também guarda um pequeno computador. As imagens são processadas por um algoritmo também criado pelos pesquisadores e considerado o elemento-chave do sistema. Ele organiza os pixels da filmagem em grupos de três. Se cinco grupos adjacentes estiverem em um ângulo menor que 10 graus entre eles, ou seja, se esses grupos estiverem aproximadamente no mesmo plano, o programa conclui que  formam uma mesma superfície.

O algoritmo não precisa necessariamente identificar o objeto, mas avisar ao usuário se ele estiver muito próximo. A facilidade para a movimentação do deficiente visual vai além do caminhar. A solução avisa, por exemplo, a existência de uma cadeira vaga. Nesse caso, o algoritmo analisa uma determinada superfície três vezes. Se ela for paralela ao chão e estiver em uma altura compatível com o tipo de móvel, ele avisa que há uma cadeira desocupada. Caso haja alguém sentado, não identifica o objeto.

As informações são passadas para o usuário por dois aparelhos: um cinto com motores vibratórios e uma tela em braile. Quando o deficiente chega a menos de dois metros de um objeto, o cinto vibra, indicando qual direção tomar para se desviar. Quanto menor a distância, mais forte é a vibração. “Nós descobrimos que a área do corpo menos usada pelos outros sentidos fica ao redor do abdômen”, conta Robert. Já a tela em braile exibe símbolos, como a letra C para cadeiras, e indica a direção e a proximidade de um obstáculo.

Aprendizagem

“A grande dificuldade é que o usuário precisa aprender a usar o dispositivo”, avalia Emerson Fachin-Martins, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias da Saúde da Universidade de Brasília (UnB). “Para usá-lo, a pessoa precisa saber braile. Não é todo cego que sabe braile. E precisa saber usar os dispositivos vibratórios.” Segundo o especialista, muitos deficientes visuais preferem a bengala porque ela é muito mais simples de aprender a usar do que os sistemas tecnológicos.

Por esse motivo, afirma Andréa Sonza, assessora de Ações Inclusivas do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), os futuros usuários devem sempre ser ouvidos nas pesquisas voltadas para a tecnologia assistiva. “Qualquer dispositivo feito em conjunto com as pessoas com deficiência é sempre importante. Se elas aprovam, a pesquisa é válida”, argumenta. Sonza chama a atenção ainda para a quantidade de pessoas que podem ser beneficiadas com projetos nessa linha: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 3,6% dos brasileiros (cerca de 9,3 milhões) têm deficiência visual, sendo que o grau intenso ou muito intenso da limitação impossibilita 16% deles de realizarem atividades rotineiras, como ir ao trabalho e brincar.

Os pesquisadores do MIT realizaram diversos testes em que pessoas cegas percorreram labirintos e corredores e localizaram cadeiras vazias em uma sala usando a nova solução. As tarefas foram executadas sem o auxílio da bengala. Porém, quando as duas alternativas foram usadas juntas, a velocidade e a confiança dos deficientes foram bem maiores. “Parece ser algo viável”, avalia Andréa Sonza. “Quanto menor e mais fácil de carregar, melhor.”

Campos diversos

Criado em 1988, o termo tecnologia assistiva refere-se aos recursos e serviços que podem contribuir para proporcionar ou ampliar as habilidades de pessoas com deficiência.  Os recursos são variados, incluindo soluções como softwares e hardwares voltados para a acessibilidade e equipamentos de comunicação e locomoção alternativa. Os serviços são geralmente multidisciplinares e envolvem áreas como medicina, psicologia, engenharia e computação.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Novo app da Microsoft para iPhone narra o mundo para os deficientes visuais

A Microsoft lançou o Seeing AI – um aplicativo de smartphone que usa visão computacional para descrever o mundo para deficientes visuais. Com o app já instalado no smartphone, basta apontar a câmera para uma pessoa, e o Seeing AI informa através de um áudio, quem é a pessoa e até como ela está se sentindo.

Através da inteligência artificial, o aplicativo da Microsoft pode também descrever o nome de um produto em um supermercado ou em sua despensa, bastando apontar a câmera do celular para o alvo desejado.
A empresa mostrou um protótipo da Seeing AI em março do ano passado em sua conferência Build, mas a partir de hoje, o aplicativo ja está disponível para download gratuito, mas por enquanto, somente para os dispositivos iOS e nos EUA. A Microsoft ainda não deu nenhuma informação sobre quando o novo app estará disponível em outros países e para os smartphones Android.

Ajuda Prática aos Deficientes Visuais

O aplicativo funciona em vários cenários. Além de reconhecer as pessoas, adivinhar a idade e a emoção de alguém, ela pode identificar produtos domésticos escaneando códigos de barras. Ele também lê e digitaliza documentos e reconhece uma cédula de dólar. Evidentemente que o app deverá ser adaptado para reconhecer a moeda brasileira quando estiver disponível por aqui.
O aplicativo usa redes neurais para identificar o mundo ao seu redor dos deficientes visuais, a mesma tecnologia básica que está sendo implantada em todo o Vale do Silício, alimentando carros autônomos, drones e muito mais.
As funções mais básicas do aplicativo são realizadas diretamente no próprio dispositivo. Isso significa que podem ser acessados ​​com mais rapidez e em situações onde não há conexão estável à internet. No entanto, os recursos experimentais do Seeing AI, como descrever uma cena inteira ou reconhecer a escrita manual, requer uma conexão com um banco de dados na nuvem.
Saqib Shaikh, líder tecnológico de desenvolvimento do Seeing AI, disse que a diferença entre este e outros aplicativos similares é a velocidade das redes neurais: “Uma das coisas que queríamos fazer era habilitar o reconhecimento no próprio dispositivo, e nós fizemos isso. Dentro de alguns milissegundos após apontar câmera, você consegue ouvir o resultado . Tudo se trata de velocidade, e tentamos fazer o máximo para oferecer uma boa experiência ao dispositivo”.
Esperamos que o Seeing AI chegue logo ao Brasil, os deficientes visuais que buscam sempre ter uma vida mais independente certamente ficarão felizes com a novidade.

sábado, 15 de julho de 2017

Comissão de Transparência aprova projeto que beneficia deficientes visuais

A Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC) aprovou nesta quarta-feira (12) o projeto que torna obrigatória, desde que haja o pedido, a utilização do sistema Braille por parte dos bancos, nas relações contratuais com pessoas que sofram de deficiência visual. De autoria do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), o PLS 21/2016 segue para análise da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
Na CTFC o relatório aprovado foi feito pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN), e lido durante a votação por Regina Sousa (PT-PI). De acordo com emenda sugerida por Fátima, a proposta caso aprovada entrará em vigor 180 dias após a sanção, visando a adaptação por parte das instituições bancárias.
Fátima acrescenta em seu relatório que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já possui jurisprudência em relação à matéria, mas o acréscimo do direito ao Estatuto da Pessoa com Deficiência (lei 13.146) faz-se necessário "pois muitas pessoas que necessitam, desconhecem este entendimento por parte daquela Corte". Acredita ainda que colocar o dispositivo expressamente em lei trará maior segurança jurídica.

Publicidade abusiva

Também foi aprovado durante a reunião o relatório do senador Eduardo Lopes (PRB-RJ) ao PLC 30/2017, da deputada Erika Kokay (PT-DF), que trata sobre práticas de publicidade abusiva condenadas no âmbito do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078).
Pelo texto aprovado, é abusiva a publicidade discriminatória de qualquer natureza que incite à violência, explore medos ou superstições, que se aproveite da inexperiência da criança, que desrespeita o meio-ambiente, que induza consumidores a se comportarem de forma prejudicial à própria saúde, e a que contenha texto ou audiovisual que conduza consumidores a erro quanto ao produto anunciado. A proposta será agora analisada em Plenário pelo Senado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

domingo, 9 de julho de 2017

Narrador da Globo emociona filha deficiente visual de atacante do Bota

Giulia, filha de Roger, conheceu a voz que a acompanha nos jogos do pai.


No último dia 31 de maio, o atacante Roger, do Botafogo, marcou um golaço contra o Sport Recife, que rendeu a classificação do time carioca às quartas de final da Copa do Brasil. A filha do jogador, Giulia, de 11 anos, acompanhou a partida do pai pela televisão, mas sem ver nada, pois ela é deficiente visual desde que nasceu, por conta de uma displasia septo-óptica, um raro transtorno caracterizado por malformações da linha média do sistema nervoso central. Entretanto, a pequena vibrou bastante com a narração de Luis Roberto de Mucio.
Agora, neste mês de junho, quando faz aniversário, Giulia e Roger receberam em casa a visita de Luis Roberto, que levou para a menina um quadro em alto relevo com três momentos do lance do golaço do pai, para que ela pudesse sentir o feito do atacante do Botafogo.
Enquanto a filha ia passando os dedos e se emocionando com o quadro, impresso em 3D, Roger ia explicando a jogada.
“Estou muito feliz de poder sentir um gol do meu pai. Sempre acompanho os jogos e comemoro os gols pela televisão, mesmo sem saber como eles são feitos. Vocês conseguem entender o que fizeram? Gente, eu nunca tive essa noção... Eu queria ter essa noção algum dia e vocês conseguiram trazer. Pai, o gol foi lindo! Foi, não foi? Agora, eu consegui”, vibrou a menina, na reportagem exibida pela TV Globo.

“Quero vê-la na paralimpíada. Faz natação muito bem. O esporte quebra barreiras, agrega, anima... Vivo sonhando por ela. A Giulia não tem limites”, complementou o jogador.
Já o narrador Luis Roberto, que também se emocionou, falou sobre o trabalho que faz na TV. “O tom da narração é importante. É a soma de uma série de coisas. O futebol é muito paixão e você precisa falar com o coração. Esse gol era muito importante e valia a classificação na Copa do Brasil. A dimensão disso tudo você tem que passar. Tem que ser com o coração, ser apaixonado. E um pouco da descrição da situação. A televisão é um veículo de ruído. Às vezes... É um telefone que toca, é alguém que te chama em casa... Então o tom da narração é um chamativo para o cara voltar para a televisão. É o que procuramos passar”, contou o profissional.
Depois de sentir e compreender como é de fato o trabalho do pai, Giulia disse: “Acho que esse é o melhor dia da minha vida. Eu consegui saber como é um gol do papai”, finalizou a menina, que não tirou o sorriso do rosto.
Assista aqui a reportagem completa.