MS: impasse fecha escolas para 6 mil deficientes

Graciliano Rocha
Direto de Campo Grande

As portas da escola estão fechadas para seis mil crianças e adolescentes portadoras de deficiência em Mato Grosso do Sul. Em reunião realizada nesta segunda-feira, os diretores dessas entidades decidiram não começar o ano letivo enquanto o governo não voltar a oferecer professores e técnicos para o atendimento. O Estado alega que não tem recursos financeiros.

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O impasse começou no início do mês, quando o Estado decidiu suspender a cessão dos profissionais da educação para as entidades beneficentes, como Apae e Pestalozzi. Até o ano passado, os estudantes dessas instituições eram atendidos por 720 professores da rede pública.

O governador André Puccinelli (PMDB) havia alegado na semana passada que o fim da cessão de professores era exigência de um termo de ajustamento de conduta (TAC) do Ministério Público, que negou a relação do documento com a educação especial. O governo recuou e informou que voltaria a oferecer os profissionais. Só que, no lugar dos 720, o Estado disponibilizou apenas 390.

"Não poderíamos escolher uma metade para ser atendida e deixar a outra sem atendimento", disse Gisele Sadi Tannous, presidente da Federação Nacional de Associações Pestalozzi, que oferecem atendimento a portadores de deficiências diversas. Na Pestalozzi de Campo Grande, são necessários 62 profissionais para atender as 504 crianças e adolescentes. O governo só se comprometeu a disponibilizar 30.

Um dos casos mais severos é o da Orionópolis Sul-Mato-Grossense, uma instituição que atende 42 crianças com paralisia cerebral. De acordo com a entidade, há risco de morte já que as crianças também recebem fisioterapia respiratória no local. A entidade precisa de 20 profissionais das áreas de saúde e educação, mas o governo só disponibilizou 12.

Disponibilidade financeira
Em entrevista a uma rede de televisão de Campo Grande na noite de hoje, a secretaria de Educação, Maria Nelene Badeca, alegou falta de "disponibilidade financeira" para a decisão de reduzir dos 720 para 390 o número de profissionais cedidos.

Na próxima quinta-feira a Assembléia Legislativa promoverá uma audiência pública para discutir o assunto.

Fonte: Redação Terra http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1439442-EI306,00.html