ALLAN KARDEC
Nascido em Lyon, França, no dia 3 de outubro de 1804 e
desencarnado em Paris, no dia 31 de março de 1869.
Muito se tem escrito sobre a personalidade de Allan Kardec,
existindo mesmo várias e extensas biografias sobre a sua obra missionária.
Allan Kardec contava 51 anos quando se dedicou à observação e
estudo dos fenômenos espíritas, sem os entusiasmos naturais das criaturas ainda
não amadurecidas e sem experiência. A sua própria reputação de homem probo e culto
constituiu o obstáculo em que esbarraram certas afirmações levianas dos
detratores do Espiritismo. Dois anos depois, em 1857, divulgava "O Livro
dos Espíritos". Em 1858 iniciava a publicação da famosa "Revue
Spirite". Em 1861 dava a lume "O Livro dos Médiuns". Em 1864
aparecia "O Evangelho segundo o Espiritismo"; seguido de "O Céu
e o Inferno" em 1865. Finalmente, em 1868 "A Gênesis Os Milagres e as
Predições", completava o pentateuco do Espiritismo.
Na ingente tarefa de codificação do Espiritismo, Allan Kardec
contou com o valioso concurso de três meninas que se tornaram as médiuns
principais no trabalho de compilação de "O Livro dos Espíritos":
Caroline Baudin, Julie Baudin e Ruth Celine Japhet. As duas primeiras foram
utilizadas para a concatenação da essência dos ensinos espíritas e a última
para os esclarecimentos complementares. Ultimada a obra e ratificados todos os
ensinamentos ali contidos, por sugestão dos Espíritos, Allan Kardec recorreu a
outros médiuns, estranhos ao primeiro grupo, dentre eles Japhet e Roustan,
médiuns intuitivos; a senhora Canu, sonâmbula inconsciente; Canu, médium de
incorporação; a Sra. Leclerc, médium psicógrafa; a Sra. Clement, médium
psicógrafa e de incorporação; a Sra. De Pleinemaison, auditiva e inspirada;
Sra. Roger, clarividente; e srta. Aline Carlotti, médium psicógrafa e de
incorporação.
Escrevendo sobre a personalidade do notável mestre, o emérito
Dr. Silvino Canuto Abreu afirmou o seguinte: "De cultura acima do normal
nos homens ilustres de sua idade e do seu tempo, impôs-se ao geral respeito
desde moço. Temperamento infenso à fantasia, sem instinto poético nem
romanesco, todo inclinado ao método, à ordem, à disciplina mental, praticava,
na palavra escrita ou falada, a precisão, a nitidez, a simplicidade, dentro dum
vernáculo perfeito, escoimado de redundâncias.
Filho de pais católicos, Allan Kardec foi criado no
Protestantismo, mas não abraçou nenhuma dessas religiões, preferindo situar-se
na posição de livre pensador e homem de análise. Compungia-lhe a rigidez do
dogma que o afastava das concepções religiosas. O excessivo simbolismo das
teologias e ortodoxias, tornava-o incompatível com os princípios da fé cega.
O Espiritismo não era, entretanto, criação do homem e sim uma
revelação divina à Humanidade para a defesa dos postulados legados pelo Meigo
Rabi da Galiléia, numa quadra em que o materialismo avassalador conquistava as
mais pujantes inteligências e os cérebros proeminentes da Europa e das
Américas.
A codificação da Doutrina Espírita colocou Kardec na galeria dos
grandes missionários e benfeitores da Humanidade. A sua obra é um acontecimento
tão extraordinário como a Revolução Francesa. Esta estabeleceu os direitos do
homem dentro da sociedade, aquela instituiu os liames do homem com o universo,
deu-lhe as chaves dos mistérios que assoberbavam os homens, dentre eles o problema
da chamada morte, os quais até então não haviam sido equacionados pelas
religiões. A missão do ilustre mestre, como havia sido prognosticada pelo
Espírito de Verdade, era de rochedos e perigos, pois ela não seria apenas de
codificar, mas principalmente de abalar e transformar a Humanidade. A missão
foi-lhe tão árdua que, em nota de 1º. de janeiro de 1867, Kardec referia-se as
ingratidões de amigos, a ódios de inimigos, a injúrias e a calúnias de
elementos fanatizados. Entretanto, ele jamais esmoreceu diante da tarefa.
OS PENSAMENTOS DE
KARDEC
"Fora da Caridade não há
salvação. Isto é, a igualdade entre os homens perante Deus, a tolerância, a
liberdade de consciência e benevolência mútua".
"O Espiritismo se dirige aos
que não crêem ou que duvidam, e não aos que têm fé e a quem essa fé é
suficiente; ele não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar as
nossas, e nisto é conseqüente com os princípios de tolerância e de liberdade de
consciência que professa. Por esse motivo não poderíamos aprovar as tentativas
feitas por certas pessoas para converter às nossas idéias o clero, de qualquer
comunhão que seja. Repetiremos,pois, a todos os espíritas: acolhei com
solicitude os homens de boa-vontade; oferecei a luz aos que a procuram, porque
com os que crêem não sereis bem sucedidos; não façais violência à fé de
ninguém, muito menos quanto ao clero que aos seculares, porque semeareis em
campos áridos; ponde a luz em evidência, para que a vejam os que quiserem ver;
mostrai os frutos da árvore e deles dai de comer aos que têm fome e não aos que
se dizem saciados.
"Reconhecei, pois, o verdadeiro
espírita na prática da caridade por pensamentos, palavras e obras, e
persuadi-vos de quem quer que nutra em sua alma sentimentos de animosidade, de
rancor, de ódio, de inveja ou de ciúme, mente a si próprio se tem a pretensão
de compreender e praticar o Espiritismo"
A caridade é a lei do Cristo:
amem-se uns aos outros como irmãos;- ame seu próximo como a si mesmo; perdoe seu
inimigo; -não faça a outrem o que não quer que lhe façam; tudo se resume na
palavra CARIDADE ."
Fé inabalável é somente aquela que
pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.
Nascer, Morrer, Renascer ainda e
Progredir sem cessar, tal é a Lei.
Todo efeito tem uma causa; todo
efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência de uma causa está na
razão da grandeza do efeito.
Sejam quais forem os prodígios
realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa
primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas,
qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe.
Reconhece-se a qualidade dos
Espíritos pela sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores
é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições; respira a sabedoria, a
benevolência, a modéstia e a moral mais pura; é concisa e sem palavras inúteis.
Nos Espíritos inferiores, ignorantes, ou orgulhosos, o vazio das idéias é quase
sempre compensado pela abundância de palavras. Todo pensamento evidentemente
falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão
grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência,
de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num
Espírito.
Reconhece-se o verdadeiro espírita
pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más
inclinações.
Caminhando de par com o progresso, o
Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe
demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria
nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará.
Melhorados os homens, não fornecerão
ao mundo invisível senão bons espíritos; estes, encarnando-se, por sua vez só
fornecerão à Humanidade corporal, elementos aperfeiçoados. A Terra deixará,
então, de ser um mundo expiatório e os homens não sofrerão mais as misérias
decorrentes das suas imperfeições.
Onde quer que as minhas obras
penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro
aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral.
Pelo espiritismo a humanidade deve entrar em uma nova
fase, a do progresso moral, que é a sua conseqüência inevitável.
FEESP - Federação Espírita do Estado de São Paulo